Talvez



  Talvez um dia a gente encontre explicação para o que a razão não oferece. Talvez, daqui a vinte anos, a gente entenda aquela manhã maluca que nos tirou o sossego pelos exatos minutos que vieram em seguida e geraram memórias para a vida toda.
   Um dia, quem sabe, exista entendimento e paz sobre alguma mágoa, dor ou angústia intercalada a momentos de alegria vivenciados quando menos se espera. E em algum momento talvez você valorize também aqueles dias inesquecíveis com os amigos debaixo do sol, naquele mês de fevereiro de um ano que você não consegue recordar bem, mas que se te perguntarem sobre como foi, você saberá dizer exatamente.
   Talvez um dia você reencontre aquela pessoa quando menos se espera e vocês consigam conviver de novo, talvez quem sabe conversar, amar novamente ou somente se suportar. Você já sabe, porém talvez não lembre: tem dias que tudo o que a gente precisa é suportar. Dar conta daquilo que parece impossível e nos atinge como um trovão à uma hora da manhã exigindo atenção, e a gente logo tenta fingir novamente que nada aconteceu. Suportar nem sempre em um sentido ruim, mas aprender a encontrar uma base diante de uma presença ou ausência e lidar com isso de uma maneira madura.
   Suportar a perda, a dor, a falta de sentido, os "não ditos", dar conta do que cabe a nós. Você pode até tentar (e tenho certeza que já tentou) fazer com o que o outro dê conta das suas questões, mas elas são suas. Até que você esteja realmente preparado para o real sentido de unicidade, elas são somente suas.
(E esse tipo de sentido acontece muito raramente na vida).
   Talvez um dia a gente se perceba muito mais como protagonistas do sentido do que como sujeitos passivos, ou não, quem sabe né. E a gente precisa lidar com isso tudo.
   De um jeito ou de outro. É preciso dar conta.

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