Para meu Vô


   Eu ainda sou a netinha de sete anos que se escondia dentro do guarda-roupa e te esperava ansiosamente para vir me achar e eu te assustar na hora que abrisse a porta, mas você me procurava por todos os cômodos e cantinho da casa mesmo sabendo que eu estava ali te esperando dentro do guarda-roupa, e quando me achasse eu iria ficar surpresa por sua demora pra me encontrar mesmo sabendo que eu estava ali o tempo todo. Eu ainda sou a netinha que você me chamava junto com a minha prima e sentavamos uma em cada perna e ali começava as histórias e cantigas do seu tempo e de sua infância que sempre nos deixava vidradas, sabiamos que logo após toda história e cantiga viria a coceira do seu bigode no nosso rosto, o pescoço vermelho de tanto que você havia nos dado um cheiro. 
   Eu ainda sou a netinha que brincava de terra no seu quintal com as mmeninas e fingia ser cozinheira e quando pediamos sua opinião você falava que estava lindo mesmo sabendo que não estava pois era só terra com água mas você dizia pra não nos deixar tristes. Eu ainda sou a netinha que precisa do seu colo quando tudo vai mal e ouvir você dizer " Calma, tenha paciência " na certeza de te abraçar respirar fundo e saber que você esta ali, assim como sempre esteve. Eu ainda sou a criança boba que irritava minhas primas esperando você gritar para mim parar para poder prestar atenção na TV e ver seu jornal sossegado para depois sentar conosco e conversar sobre assuntos aleatórios. Sou aquela menina que te viu como segundo Pai a vida toda, que amava implicar com a Vó junto de você e ela brigar conosco, ali saia o seu sorriso lindo e espontâneo que me encantava e me deixava com o coração leve por te ver sorrir. 

Meu Vô não era ninguém, mas nunca houve ninguém como ele!

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